10 Anos Acordo de Paris: Balanço de Avanços, Retrocessos e a Luta pelo Limite de 1,5°C

Nos 10 anos após o Acordo de Paris, avanços e retrocessos persistem. Cortes de emissões insuficientes e liderança ineficaz desafiam o limite de 1,5°C.

Nos últimos 10 anos, o Acordo de Paris tem sido um marco essencial na diplomacia climática global, delineando metas ambiciosas para limitar o aquecimento global e acelerando a transição para energias limpas. Apesar disso, o ritmo dos avanços permanece desigual, e as metas iniciais enfrentam retrocessos que ameaçam comprometer o compromisso climático mundial.

Objetivos Iniciais e Conquistas do Acordo

O Acordo de Paris foi celebrado com a promessa de limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C, com esforços para não ultrapassar 1,5°C até o final do século. Este tratado climático global foi bem-sucedido em catalisar uma transformação sem precedentes em políticas energéticas, impulsionando investimentos em energias renováveis e promovendo uma redução significativa nas emissões de carbono projetadas. Observa-se uma queda na projeção do aquecimento global, que inicialmente alcançaria 4°C, agora para cerca de 2,5°C, apontando para um progresso notável na transição global rumo a um futuro mais sustentável.

Retrocessos e Insuficiências nas Metas Nacionais

No entanto, o cenário global ainda possui significativas lacunas. Muitos planos climáticos formulados por grandes emissores, em especial aqueles no G20, projetam cortes de emissões de carbono que variam apenas entre 23% e 29%. Este é um valor consideravelmente insuficiente frente à necessidade de reduzir pelo menos 60% das emissões globalmente para manter o aquecimento dentro do limite de 1,5°C. Este déficit é acentuado pela falta de compromissos coerentes e credíveis para eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis.

Responsabilidades dos Países Desenvolvidos e G20

É evidente que a responsabilidade pelas emissões globais recai de maneira desproporcional sobre os países desenvolvidos e as nações que compõem o G20, que respondem por 80% das emissões globais. O mundo ainda aguarda por um aumento nas ambições e na liderança tecnológica dessas nações para viabilizar a busca por um planeta mais equilibrado sob a perspectiva climática. As metas precisam ser revistas e, acima de tudo, ampliadas em suas ambições para que seja possível traçar um caminho crível até 1,5°C.

Protestos e Denúncias de Sabotagem Climática

Nos últimos anos, ativistas têm intensificado seus protestos contra a complacência de líderes em relação às mudanças climáticas. Eminentes figuras políticas, tais como Emmanuel Macron e Donald Trump, têm enfrentado críticas severas por escolherem o lado das indústrias poluentes, em vez de priorizar agendas transformativas para mitigar o aquecimento global. Manifestações em Paris simbolizam a frustração crescente com a falta de ação e as percepções de sabotagem climática.

Financiamento e Reparações: O Papel das Empresas Poluentes

O financiamento climático se tornou uma necessidade crítica. Políticas financeiras contemporâneas sugerem planos abrangentes, tais como o “Polluters Pay Pact”, que pretende cobrar das indústrias de óleo e gás pelos estragos climáticos causados. Ao mesmo tempo, é crucial aumentar os fundos destinados à adaptação e à mitigação das perdas e danos climáticos, promovendo equidade e justiça ambiental.

Perspectivas da COP30 e Futuras Conferências

As expectativas para a COP30, a ser realizada em Belém, são extremamente altas. Espera-se que este evento ofereça diretrizes claras para a transição energética global e a preservação ambiental, alavancada pela participação ativa de mais de 80 países engajados em uma coalizão verde. No horizonte, a COP31 já começa a desenhar os contornos de um compromisso multilateral renovado, liderada por pressões regionais e organizações da sociedade civil.

Setores Críticos: Energia, Indústria e Agricultura

Apesar dos progressos registrados em setores a exemplo de energia e transportes, desafortunadamente, outros setores críticos, como o industrial (aço, cimento), agrícola e florestal, ainda estão aquém de suas metas globais. Estratégias agressivas e inovadoras precisam ser aplicadas para mitigar essas deficiências, abrangendo práticas como eliminação gradual de combustíveis fósseis até 2040-2045;

Impactos Econômicos e Humanos Projetados

Os custos de inação também acenam com consequências econômicas e humanitárias acentuadas. Dez anos após o Acordo de Paris, estimativas ainda indicam que, sem ações concretas para modificar a trajetória atual, o PIB global poderá sofrer reduções de até 4% até 2050. Além disso, milhões de vidas ficarão em risco, numa demonstração concreta da necessidade de intervenções políticas e corporativas que trabalham juntas para salvaguardar o futuro.

Diplomacia e Ciência no Combate ao Aquecimento

A ciência e a diplomacia continuam a desempenhar papéis cruciais na luta contra o aquecimento global. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e as Nações Unidas enfatizam a urgência de cortes de 43% nas emissões até 2030, promovendo uma economia sustentável e de baixo carbono. É fundamental que essas discussões sejam amplificadas e transformadas em ações globais efetivas.

Conclusão

Os últimos 10 anos do Acordo de Paris marcaram etapas significativas, mas também deixaram claros os desafios persistentes em nossa trajetória climática global. Avanços em políticas energéticas suavizaram projeções de aquecimento, mas as metas ainda não são suficientes e requerem uma reavaliação crítica e aumento substancial de compromissos. Para futuro sustentável, governos, organizações e pessoas precisam empreender esforços conjuntos para eliminar combustíveis fósseis, promover a justiça climática e assegurar um ambiente habitável para as próximas gerações.

*Texto produzido e distribuído pela Link Nacional para os assinantes da solução Conteúdo para Blog.

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